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OMS alerta que tuberculose já mata mais que a Aids no mundo
Uma doença de mais de 8 mil anos, curável, cujo tratamento está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, mas que tem matado no mundo mais que a Aids, segundo dados divulgados ontem pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A tuberculose faz 1,5 milhão de vítimas por ano, enquanto a Aids, em 2014, matou 1,2 milhão. “A tuberculose agora divide a liderança do ranking com o HIV como os maiores responsáveis por mortes no mundo”, indicou a OMS ontem, em um relatório.
No ano passado, a tuberculose matou 890 mil homens, 480 mil mulheres e 140 mil crianças, segundo o órgão. De 1,5 milhão de vítimas, 400 mil haviam sido infectadas pela Aids. Por ano, 9,6 milhões de novos casos de tuberculose são registrados – 54% deles estão na China, Índia, Indonésia, Nigéria e Paquistão. O Brasil, apesar dos avanços, continua entre os 22 países considerados de alta incidência da doença. Em 2014, registramos 81 mil novos casos.
“Quem tem o HIV fica mais suscetível a ter a tuberculose, que é uma infecção oportunista. Ela ataca o sistema imunológico fragilizado, que no caso de quem tem o HIV está com o sistema de defesa deprimido. Entre 12% e 17% dos pacientes com tuberculose têm Aids. E olha que paradoxo: a tuberculose tem cura e a Aids, ainda não”, pontua a médica pneumologista Munira Martins de Oliveira, coordenadora do Setor de Tuberculose do Hospital Júlia Kubitscheck, da Rede Fhemig, em Belo Horizonte. A unidade hospitalar é referência em centro terciário no estado para doenças do pulmão, ou seja, trata casos difíceis e graves, que já passaram pela rede básica e pelas unidades de pronto atendimento (UPAs).
A diferença básica entre as doenças está no fato de a tuberculose ter cura, e a Aids, não. Então, porque ainda tem gente morrendo de um mal para o qual há tratamento? Na visão de Munira, ocorre uma rede inteira de falhas.
“Falhamos quando o sistema básico não faz o diagnóstico precoce, ninguém vai atrás dos contatos (que são as pessoas que vivem no mesmo ambiente que o doente) e não há supervisão do tratamento. O correto e ideal seria o agente de saúde ir diariamente à casa do tuberculoso em tratamento e vê-lo engolir o remédio”, diz a médica. Para ela é inadmissível haver jovens de 20, 30 anos, em idade de produção econômica e intelectual, doentes e acamados.
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